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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

À conquista do "Tecto do Mundo"

Pierre Coubertin optou por destacar os grandes objectivos do Homem como citius, altius e fortius, mas a verdade é que os limites do ser humano nunca se ficaram por esses três aspectos. Desde que se conhece, o Homem tentou sempre chegar mais longe, mais alto, mais fundo e melhor.

Desde conseguir voar à chegada à Lua ou a Marte, os grandes génios ignoraram sempre as barreiras e obstáculos do ser comum e tentaram fazer história com as próprias mãos e pés. No início da década de 50 do século passado, a vontade de chegar ao topo do Evereste fixou as mentes de inúmeros alpinistas.

Todos o queriam, mas apenas um é conhecido por ter sido o primeiro a fazê-lo. Ele é o neozelandês Edmund Hillary, posteriormente elevado a "Sir". Nascido em 1919, Edmund cresceu em Auckland, uma das principais cidades do país, e começou a interessar-se pela modalidade logo em "casa". Dados os perigos do "Tecto do Mundo" que provocaram no passado e continuam hoje a provocar muitas mortes, Edmund Hillary embarcou em várias viagens de reconhecimento do local, tentando criar uma relação de familiaridade com a montanha, conhecer os pontos fracos, as vulnerabilidades e os principais perigos.

Finalmente, em 1953, Edmund Hillary partiu à conquista do cume. Originalmente composta por mais elementos, a expedição terminou com apenas dois alpinistas a completar o objectivo. Além do famoso Hillary, também Tenzing Norgay, um útil nepalês com conhecimento do terreno, conseguiu alcançar o objectivo a 29 de Maio de 1953.

E porquê o título de cavaleiro? O anúncio da chegada ao topo, integrado numa expedição organizada por britânicos, ocorreu na véspera da coroação de Isabel II. Num período difícil, agastado pela crise e pelo rescaldo da guerra, o conhecimento de feito de tal ordem foi visto como um fogacho de esperança e confiança para o futuro. De certa forma, como o efeito que a conquista do topo de Iwo Jima teve para os norte-americanos.

A partir daí, Edmund Hillary dedicou a vida à conquista de novos cumes e objectivos longínquos, como o Polo Sul. Em 1975, a vida do antigo apicultor (guardava abelhas no início da vida) conheceu um forte revés, quando mulher e filha morreram... nas alturas, num acidente de avião.

No próximo domingo, 11 de Janeiro, completa-se o primeiro ano após a morte de Sir Edmund Hillary, o primeiro de muitos a escalar o Evereste com sucesso.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Homem das alturas

Lembram-se de Ken Mint? O homem de 73 anos que joga basquetebol apesar da idade? Esqueçam a idade. É um jovem comparado com Fred Beckey, um alpinista de 85 anos que continua a desafiar as alturas e já traçou o novo objectivo: Norte de Espanha.

A história, como não podia deixar de ser, tem mais uma vez a chancela inconfundível do The New York Times. Para se ter uma noção da antiguidade de Beckey, poderá dizer-se que quando o Evereste foi escalado pela primeira vez, em 1953, já este alpinista de corpo e alma tinha 30 anos.

Apesar de não ter sido o primeira nos Himalaias, Beckey é o montanhista em actividade com mais topos virgens, ou seja, nunca ninguém subiu tantas montanhas pela primeira vez como ele. Este génio das rochas, neve e natureza tem uma modo de operação muito próprio. É considerado um homem frio, solitário e pouco dado a partilhar sabedoria. Ainda assim, não deixa de ser uma lenda viva para todos os verdadeiros apreciadores da modalidade.

Talvez por isso, a novidade da aventura ao Norte de Espanha tenha sido adiantada com grande ansiedade nos fóruns. "Pode ser uma possibilidade remota, mas está à procura de um companheiro", lia-se.

De origem alemã, de nome completo Wolfgang Paul Heinrich Beckey, este alipinista octogenário sofreu no passado pelo mau trato. De facto, em 1960, sete anos depois da primeira chegada ao Evereste, Beckey ficou de fora dos convites da primeira expedição americana. Várias gerações depois, os "miúdos" já o vêem de outra forma. Aos 28 anos, Dave Burdick considera que "Beckey já esteve em todo o lado e fez sempre coisas fantásticas".

Se antigamente fugiam dele e queriam distância, hoje fazem fila. Diane Kearns estará com Beckey em Espanha. Para ela, o importante não é tanto a subida, mas sim estar com o alpinista. "A oportunidade de o ver é tremenda. É uma lenda do seu tempo", reconhece.

Aos 85 anos, Beckey não dá sinais de se querer retirar nem de se limitar a escrever livros sobre elefantes, candidatar-se a presidenciais ou simplesmente inscrever-se em clubes de sueca. Continua fiel a uma vida repleta de marcas que se esforçou por alcançar e exactamente com as mesmas motivações.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Já sabemos do Viagra, mas alguém consegue explicar?

A semana ficou marcada por uma notícia que pode ser alvo de muitas brincadeiras e trocadilhos. Através de uma notícia da Lusa, vários órgãos de comunicação social anunciaram que o viagra, o comprimidinho azul mágico que revolucionou o universo de piadas em 1998, pode ser considerado doping se tomado em altitude.

Num exemplo ímpar (neste caso foi par) de jornalismo de descoberta e iniciativa, o serviço noticioso falou com Luís Horta, a quem atribui a garantia que é mesmo doping... em altitude. No entanto, a capacidade de comunicação de Horta é tão fraca que a frase mais explicativa da situação é esta: "Se o atleta estiver a competir numa altitude acima dos 1.500 metros, o sildenafil [princípio activo do Viagra] aumenta o rendimento dos atletas". Muito pouco, convenhamos.

Lá mais para a frente, o director clínico da Pfizer surge citado, de acordo com a imprensa brasileira (mérito não é da Lusa), a dizer que "só funciona quando existe uma deficiência nos vasos. Ou seja, é a única frase que ajuda a descobrir um pouco o véu.

Vamos dar agora um passo atrás para depois poder dar dois à frente. O trocadilho na iniciativa par da Lusa não foi por acaso. A verdade é que muitos dias antes, já o New York Times tinha publicado uma notícia sobre os testes a que alguns jogadores de Lacrosse se estavam a submeter para avaliar se o viagra pode ser, ou não, considerado doping.

Além de ficarmos a conhecer os relatos pessoais de alguns dos testados, bem como da forma como estão a ser "afectados" no espaço social, o NY Times explica efectivamente a situação. Como se sabe, o viagra é um medicamento que permite a melhor circulação do sangue, facilitando a chegada ao órgão sexual masculino, de forma a que este possa manter a vida sexual activa. No entanto, o princípio básico do viagra é apenas a dilatação dos vasos sanguíneos que, com o aumentar da idade, se vão estreitando e dificultando a normal circulação.

E agora, a questão da Lusa. Por que é que será considerado doping se se competir em altitude? Kenneth W. Randall, director do Laboratório Human Performance, esclarece que em altitude a cirulação sanguínea perde eficácia devido à menor quantidade de oxigénio. Assim, o uso de viagra permite, "basicamente, competir em altitude como se estivesse ao nível do mar, com as mesmas condições aeróbicas".

Além de toda a discussão sobre o tema, que ainda não está comprovado pelo laboratório que está a realizar os estudos, mas que Luís Horta já pode confirmar com tanta certeza, ficamos a saber também que em 2004 um grupo de alpinistas recorreu ao viagra para escalar com maior facilidade o Evereste.