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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sangue português

O povo português é orgulhoso por natureza. Habituados a exultar por cada vez que a língua portuguesa surge num filme de Hollywood ou simplesmente surge uma personagem portuguesa, os portugueses são, na sua grande maioria, desatentos quando se tratam de figuras, por assim dizer, do desporto que se notabilizam nos Estados Unidos.

Para quem está atento, quando surgem os apelidos Ribeiro, Gomes, Teixeira ou mesmo Mendes a vontade de usar as ferramentas à disposição no Google e na Wikipédia é bastante de forma a chamar de seu o êxito que os Ribeiros, Gomes, Teixeiras e Mendes vão tendo nos Estados Unidos.

O perigo de serem apenas sul-americanos (como os muitos brasileiros na NBA ou venezuelanos na MLB) ou cabo-verdianos (Ryan Gomes) são alguns, mas a verdade é que quando se fala destes Ribeiros, Gomes (outro que não o Ryan), Teixeiras e Mendes, fala-se mesmo de jogadores com descendência portuguesa, mesmo que não saibam distinguir Elvas de Badajoz, Ayamonte de Vila Real de Santo António ou simplesmente apontar a quem pertence Olivença.

O último a ter algum destaque nos Estados Unidos foi Carlos Mendes, defesa central dos New York Red Bulls, por ter alcançado a final da MLS, perdida para os Columbus Crew. O pequeno Carlos foi literalmente uma prenda de Natal para os pais José e Maria. Nascido a 25 de Dezembro de 1980, seguiu a carreira desportiva e notabilizou-se relativamente aos irmãos Melissa, Juliana e Robert.

No perfil do futebolista, pode saber-se ainda que é um hábil baterista e guitarrista e que em 2005 foi um dos sete jogadores que posou para um ensaio da Vogue ao lado da modelo brasileira Gisele Bündchen.

Johnny Gomes (Tampa Bay Rays) enveredou pelo basebol. Ao contrário de Mendes, o Natal não traz boas recordações. Decorria o ano de 2002 quando o luso-descendente sofreu um ataque cardíaco à paisana. Porquê? Talvez por ser demasiado “forte” para se assustar com uma pequena dor, Gomes ignorou os sintomas durante 27 horas antes de se deslocar ao hospital, depois de ter desmaiado.

Os médicos não foram de modas. Mais uma noite de sono e a família Gomes teria perdido o seu “Johnny boy”.

Também no basebol há Mark Teixeira. A descendência de Teixeira é luso-italiana e actualmente preenche manchetes desportivas em todo o país. Após ter chegado ao playoff com os LA Angels, é actualmente um dos jogadores sem contrato mais apetecíveis do mercado. Os históricos Boston Red Sox ocupam a dianteira na perseguição ao “Marco”.

No hóquei em gelo, há um luso-descendente, mas este não é estado-unidense, é canadiano. Chama-se Mike Ribeiro e é uma das principais figuras dos Dallas Stars. Na última temporada Ribeiro levou a equipa às costas até à final de conferência, mas saiu vergado pelos Detroit Red Wings, que viriam a conquistar a 11.ª Stanley Cup.

Quem é Quem...
...Kenny Cooper

Com a vitória dos Columbus Crew na fina da MLS, disputada ontem, frente aos New York Red Bulls, foi anunciada a equipa da temporada.

Guarda-redes: Jon Busch (Chicago Fire)
Defesas: Jimmy Conrad (Kansas City Wizards), Bakary Soumare (Chicago Fire), Chad Marshall (Columbus Crew)
Médios: Cuauhtémoc Blanco (Chicago Fire), Guillermo Barros Schelotto (Columbus Crew), Robbie Rogers (Columbus Crew), Shalrie Joseph (New England Revolution), Sacha Kljestan (Chivas USA)
Avançados: Kenny Cooper (F.C. Dallas), Landon Donovan (Los Angeles Galaxy)

Com alguns nomes conhecidos para a maior parte da população europeia com interesse futebolístico como Landon Donovan, melhor jogador do campeonato e que teve papel activo na desilusão de Portugal no Mundial'2002, o mexicano Blanco, que surpreendeu o Mundo com a finta peculiar no Mundial de França e o argentino Guillermo Barros Schelotto, histórico jogador do Boca Juniors. Outro há que, apesar de não ser reconhecido, tem uma ligação muito maior a Portugal do que os restantes. Vai falar-se de Kenny Cooper.

Na verdade, o verdadeiro Kenny Cooper, por assim dizer, nasceu há mais tempo e depois de ter feito parte da equipa de reservas do Blackburn Rovers, fez carreira nos Dallas Tornados. Quis o destino que o filho dele viesse a ter mais sucesso. Kenny Cooper Jr tem 24 anos e, tal como o pai, começou a carreira num clube inglês (Manchester United), sem contudo nunca ter representado a principal equipa.

Em 2004/2005, Cooper tentou a sorte noutro país europeu e veio para Portugal. A Académica recebeu-o mas, apesar de ter vindo rotulado como "goleador do Manchester United" teve uma passagem muito fugaz por Portugal, à semelhança de outros jogadores oriundos do Reino Unido. Não tão pouco como Nial Quinn, não tanto como Brian Deane, mas talvez ao nível de Alan Mahon.

Nessa época, pela Briosa, Cooper actuou em dez jogos, mas fez apenas 317 minutos. Além de tempo jogado, conseguiu somar apenas um cartão amarelo e golos... nem vê-los. Actuou dois minutos no Municipal contra o Benfica e na partida contra o Sporting não saiu do banco. Em Janeiro, abandonou o clube de regresso a Inglaterra, para vestir as cores do Oldham.

No entanto, a história do pai voltaria a entrar em acção e Kenny Cooper cruzou o Atlântico para jogar pela equipa de... Dallas. O FC Dallas. Esta época, não houve "pai" para ele e marcou 18 golos em 30 jogos, ficando apenas atrás de Landon Donovan. A época de sonho valeu-lhe o prémio de "Comeback Player of the Year" e a chamada à selecção norte-americano para a partida da semana passada com a Guatemala.

Agora, a hipótese de voltar ao Velho Continente está em equação e Eintracht Frankfurt e Borussia Mönchengladbach já demonstraram interesse. Com apenas 24 anos, Kenny Cooper pode cortar os laços que o ligam ao pai e começar a construir um futuro original.