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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Jordan das "meias brancas"

Não, não se trata de um texto humorístico para analisar as tendências da moda de um dos melhores jogadores da história da NBA. Não se trata da famosa meia branca com o desenho da raquete. Meia branca, ou meias, até há, mas em vez da raquete, está um taco... de basebol.

Michael Jordan é um nome que dispensa apresentações. É considerado como um dos maiores atletas de sempre e no basquetebol conquistou tudo o que havia para ganhar. Quando se fala em MJ, será difícil não se associar imediatamente a Chicago, mais propriamente aos Chicago Bulls. Mas na verdade, quantos são aqueles que são capazes de o associar aos Chicago White Sox (da MLB)?

Na verdade, são precisamente os Chicago White Sox, e a sua ligação a Jordan, que são capazes de explicar o facto dos Houston Rockets terem ganhos dois campeonatos na década de 90. É que em 1993, após ter sido campeão pela terceira vez com os Bulls, Jordan decidiu enveredar pelo basebol, cumprindo assim um sonho que o seu pai tinha alimentado desde que Michael nascera.

Aproveitando as ligações entre os proprietários das duas equipas, MJ assinou um contrato com os White Sox. A decisão foi tomada precisamente no ano em que o pai, James Jordan, foi assassinado numa auto-estrada na Carolina do Norte. Acima de tudo, o astro do basquetebol quis honrar o pai.

Nos White Sox, Jordan estreou-se num jogo de exibição frente aos Chicago Cubs, onde chegou a surpreender ao ter três hits nas cinco vezes que foi chamado a bater. Ainda assim, o contrato era para uma equipa das ligas secundárias com ligação aos White Sox: os Birmingham Barons.

Jogando como outfielder, Jordan registou uma média de .202, com 3 home runs, 51 RBI e 30 bases roubadas, o quinto melhor registo da Liga. Sem ter o sucesso natural que teve nos Bulls, Jordan era visto com algum desdém pelos outros jogadores de basebol. Uma vez, um chegou mesmo a afirmar que Jordan não seria capaz de acertar numa bola curva, mesmo que tivesse munido com uma tábua de engomar.

Por outro lado, MJ não se pode queixar de não ter treinador, já que o responsável pelos Barons era... Terry Francona, o actual técnico dos Boston Red Sox, bicampeão da World Series e que quebrou o jejum da equipa de Massaschusetts de 86 anos sem vencer. Sobre Jordan na altura... Francona queixava-se que transformava a equipa num circo devido à perseguição dos jornalistas.

Satisfeito com a incursão no basebol, Michael Jordan convocou uma conferência de imprensa, mas limitou-se a dizer uma frase: "I'm back". O resto toda a gente sabe. Mais três títulos de campeões, dois de MVP da Liga e três de MVP da final.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Política desportiva

O que têm em comum Fidel Castro, Barack Obama, Vladimir Putin, José Sócrates, George W. Bush, Evo Morales e Hu Jintao além da política? Na verdade, todos eles demonstraram no passado, ou continuam a demonstrar, atracção pelo desporto.

Em Portugal, o primeiro-ministro José Sócrates é conhecido pelos hábitos de corrida, que o levaram inclusivamente a percorrer a Praça Vermelha, em Moscovo, sob forte escolta policial. Ainda assim, Sócrates confirma apenas uma tendência clara.

Fidel Castro, o antigo Presidente cubano, notabilizou-se no desporto durante a vida estudantil, chegando mesmo a ser galardoado com o prémio de melhor atleta do liceu e, aos 21 anos, foi o lançador da equipa de basebol.

Do outro lado do Mundo, o Presidente chinês Hu Jintao demonstrou na promoção dos Jogos Olímpicos de Pequim as capacidades, quase que inatas no país, para praticar ténis de mesa.

União. Os ideais políticos opostos são esquecidos quando se entra em campo. Neste sentido, um comentador de futebol zambiano, Dennis Liwewe, afirma no documentário “Lusaka Sunrise” de Silas Hagerty, que “não é fácil juntar 73 tribos diferentes que falam literalmente 73 dialectos diferentes num só grupo e o futebol desempenha um papel fundamental para garantir esta união”.

A ideia de Liwewe é confirmada internacionalmente. O desporto não é comum a apenas uma facção política, mas tem o condão de reunir várias. Nos Estados Unidos, o antigo e o actual Presidente representam partidos distintos, mas unem-se através do desporto. No passado, o republicano Bush teve um papel activo na gestão da equipa de basebol Texas Rangers, enquanto o democrata Barack Obama é um assíduo praticante de basquetebol.

Já Vladimir Putin, actual primeiro-ministro russo, ostenta no currículo o título de campeão de São Petersburgo no judo, sendo actualmente o presidente do clube onde aprendeu a modalidade enquanto jovem.

Futebol. Na política existe também quem gostasse de seguir as pisadas de Cristiano Ronaldo. Nestas quatro linhas, destaque para o Presidente boliviano Evo Morales, que aos 47 anos continua a jogar e recentemente teve papel activo na luta contra a FIFA para demonstrar que não há riscos de jogar em altitude.

A história tem também casos de atletas que tentam enveredar pela política, mas o sem sucesso. Em 2005, George Weah perdeu a corrida para as eleições presidenciais da Libéria.

Mais a sério. O actual líder da monarquia espanhola, o rei Don Juan Carlos, competiu na classe Dragão, em vela,mas ficou fora dos lugares de medalha. Anders Fogh Rasmussen, primeiro-ministro dinamarquês, já subiu o AlpeD’Huez na companhia do antigo ciclista Bjarne Riis.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sangue português

O povo português é orgulhoso por natureza. Habituados a exultar por cada vez que a língua portuguesa surge num filme de Hollywood ou simplesmente surge uma personagem portuguesa, os portugueses são, na sua grande maioria, desatentos quando se tratam de figuras, por assim dizer, do desporto que se notabilizam nos Estados Unidos.

Para quem está atento, quando surgem os apelidos Ribeiro, Gomes, Teixeira ou mesmo Mendes a vontade de usar as ferramentas à disposição no Google e na Wikipédia é bastante de forma a chamar de seu o êxito que os Ribeiros, Gomes, Teixeiras e Mendes vão tendo nos Estados Unidos.

O perigo de serem apenas sul-americanos (como os muitos brasileiros na NBA ou venezuelanos na MLB) ou cabo-verdianos (Ryan Gomes) são alguns, mas a verdade é que quando se fala destes Ribeiros, Gomes (outro que não o Ryan), Teixeiras e Mendes, fala-se mesmo de jogadores com descendência portuguesa, mesmo que não saibam distinguir Elvas de Badajoz, Ayamonte de Vila Real de Santo António ou simplesmente apontar a quem pertence Olivença.

O último a ter algum destaque nos Estados Unidos foi Carlos Mendes, defesa central dos New York Red Bulls, por ter alcançado a final da MLS, perdida para os Columbus Crew. O pequeno Carlos foi literalmente uma prenda de Natal para os pais José e Maria. Nascido a 25 de Dezembro de 1980, seguiu a carreira desportiva e notabilizou-se relativamente aos irmãos Melissa, Juliana e Robert.

No perfil do futebolista, pode saber-se ainda que é um hábil baterista e guitarrista e que em 2005 foi um dos sete jogadores que posou para um ensaio da Vogue ao lado da modelo brasileira Gisele Bündchen.

Johnny Gomes (Tampa Bay Rays) enveredou pelo basebol. Ao contrário de Mendes, o Natal não traz boas recordações. Decorria o ano de 2002 quando o luso-descendente sofreu um ataque cardíaco à paisana. Porquê? Talvez por ser demasiado “forte” para se assustar com uma pequena dor, Gomes ignorou os sintomas durante 27 horas antes de se deslocar ao hospital, depois de ter desmaiado.

Os médicos não foram de modas. Mais uma noite de sono e a família Gomes teria perdido o seu “Johnny boy”.

Também no basebol há Mark Teixeira. A descendência de Teixeira é luso-italiana e actualmente preenche manchetes desportivas em todo o país. Após ter chegado ao playoff com os LA Angels, é actualmente um dos jogadores sem contrato mais apetecíveis do mercado. Os históricos Boston Red Sox ocupam a dianteira na perseguição ao “Marco”.

No hóquei em gelo, há um luso-descendente, mas este não é estado-unidense, é canadiano. Chama-se Mike Ribeiro e é uma das principais figuras dos Dallas Stars. Na última temporada Ribeiro levou a equipa às costas até à final de conferência, mas saiu vergado pelos Detroit Red Wings, que viriam a conquistar a 11.ª Stanley Cup.