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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O Tavares do gelo

Logo nos primeiros dias deste espaço, foi dada a conhecer a situação de vários jogadores do desporto profissional norte-americano com sangue português. Menos de dois meses depois, chega mais uma notícia que dá a entender que esta "fonte" está em renovação e não parece secar.

Falamos de John Tavares. Desconhecido pela esmagadora maioria dos portugueses, este luso-canadiano esteve em absoluto destaque nos últimos dias, que culminaram com a conquista do título de melhor jogador do campeonato do Mundo sub'20 em hóquei em gelo, que se realizou no Canadá.

Além de ser considerado o MVP do torneio, Tavares figurou ainda, naturalmente, como o melhor avançado da prova e no seis inicial. A nível colectivo, John Tavares conquistou o Mundial, com uma tranquila vitória do Canadá sobre a Suécia por 5-1 na final disputada em Ottawa.

Estatisticamente falando, Tavares realizou seis jogos e terminou, igualado com o russo Nikita Filatov, no topo da lista de melhores marcadores (oito golos). Os números de Tavares registam ainda sete assistências, o que lhe deram um total de 15 pontos, apenas atrás do colega de equipa Cody Hodgson, que fez 16 pontos, fruto de cinco golos e 11 assistências.

Num outro nível, Tavares está prestes a conseguir um dos momentos mais altos da carreira, já que é apontado como um dos mais fortes candidatos a ocupar o primeiro lugar do draft da NHL em 2009. Com uma enorme veia goleadora, John Tavares é visto pelos críticos como uma "star to be" do principal campeonato da modalidade do Mundo.

Na sua definição enquanto jogador, é caracterizado como grande tecnicista, boa capacidade defensiva e com uma excelente capacidade de resposta a jogar sob pressão. As estatísticas disponíveis revelam que em 2004/2005 actuou nos Milton Icehawks, onde registou 11 golos e 12 assistências em 16 jogos.

Desde aí tem jogado nos Oshawa Generals, tendo realizado uma época espectacular a todos os níveis em 2006/2007. Em 67 partidas, conseguiu uma média de golos superior a um golo por jogo (72) e 62 assistências. Na época passada desceu um pouco de produção goleadora (40 golos), mas fez mais assistências (78) do que na época anterior.

Neste ano, até ao momento, regista 25 golos e 27 assistências em 31 jogos. De referir ainda que a marca de 2006/07, os 72 golos, representa um novo máximo em jogadores canadianos com 16 anos, superando o antigo recorde de um jogador que dispensa apresentações: Wayne Gretzky.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Hóquei à luz do... dia

Os jogos de pavilhão são dos mais famosos nos Estados Unidos. Se os jogos de basquetebol da NBA são todos cobertos, em arenas sumptuosas, os da NHL têm excepções, embora que muito raras. Aliás, a paixão pelo desporto coberto é tanta que alguns dos estádios de basebol (veja-se o exemplo do Tropicana Field, que pertence aos Tampa Bay Rays) ou futebol americano também não são afectados por condições atmosféricas.

Nos últimos dois anos, o primeiro dia da NHL ficou marcado por um jogo disputado ao ar livre. Em 2008, a 1 de Janeiro, os Buffalo Sabres e os Pittsburgh Penguins jogaram no Orchard Park, em Nova Iorque, com a vitória a sorrir aos Penguins por 2-1.

Ontem, foi a vez do Wrigley Field, uma das catedrais do basebol, receber uma partida do campeonato profissional de hóquei em gelo norte-americano. O chamado "Winter Classic" atraiu milhares de pessoas ao estádio dos Chicago Cubs (40 818 espectadores que ficaram longe do recorde de 71 217 da época anterior) e viu os Detroit Red Wings bater os Chicago Blackhawks por 6-4.

A iniciativa não é má, mas parece que o desporto está mesmo destinado a ser disputado no interior.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Literalismos

Toda a gente já ouviu falar em hat-trick. Para alguns, é o simples acto de marcar três golos num jogo. Para outros é marcar três golos consecutivos num jogo. Outros há ainda que dizem que têm de ser alcançados todos nas mesma parte. Finalmente, os que afirmam que o verdadeiro hat-trick é aquele em que o jogador marca um com o pé direito, outro com o esquerdo e o outro com a cabeça.

Na verdade, existem inúmeras definições para hat-trick, mas nenhuma é tão literal como a que existe no hóquei em gelo norte-americano. Como a imagem em cima documenta, os adeptos levam a sério o termo e congratulam o jogador com a oferta de... chapéus.

A tradição começou em Guelph, Ontario, com os Biltmore Madhatters (que fazem parte dos NY Rangers). A explicação é simples. Biltmore Madhatters, o nome do principal patrocinador, é um fabricante de chapéus e decidiu que os jogadores que conseguissem um hat-trick teriam direito a um chapéu gratuito. A tradição pegou e, pouco depois, foi Sammy Taft a fazer o mesmo nos Toronto Maple Leafs. Não faltou muito até toda os adeptos começarem a fazê-lo.

Tempos houve que outros adeptos, como os dos Florida Panthers, decidiram inovar e atirar ratos de plástico (existe uma explicação e está relacionada com um jogador), mas a NHL interviu de pronto e proibiu ratos no gelo. Aliás... não foram apenas os ratos a serem proibidos, mas também todos os outros objectos... excepto os chapéus.

O último a fazê-lo, na NHL, foi o jogador dos Boston Bruins David Krejci, que na última quinta-feira apontou três golos no triunfo por 8-5 frente aos Toronto Maple Leafs. A imagem documenta que em Boston a tradição segue-se... à risca.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sangue português

O povo português é orgulhoso por natureza. Habituados a exultar por cada vez que a língua portuguesa surge num filme de Hollywood ou simplesmente surge uma personagem portuguesa, os portugueses são, na sua grande maioria, desatentos quando se tratam de figuras, por assim dizer, do desporto que se notabilizam nos Estados Unidos.

Para quem está atento, quando surgem os apelidos Ribeiro, Gomes, Teixeira ou mesmo Mendes a vontade de usar as ferramentas à disposição no Google e na Wikipédia é bastante de forma a chamar de seu o êxito que os Ribeiros, Gomes, Teixeiras e Mendes vão tendo nos Estados Unidos.

O perigo de serem apenas sul-americanos (como os muitos brasileiros na NBA ou venezuelanos na MLB) ou cabo-verdianos (Ryan Gomes) são alguns, mas a verdade é que quando se fala destes Ribeiros, Gomes (outro que não o Ryan), Teixeiras e Mendes, fala-se mesmo de jogadores com descendência portuguesa, mesmo que não saibam distinguir Elvas de Badajoz, Ayamonte de Vila Real de Santo António ou simplesmente apontar a quem pertence Olivença.

O último a ter algum destaque nos Estados Unidos foi Carlos Mendes, defesa central dos New York Red Bulls, por ter alcançado a final da MLS, perdida para os Columbus Crew. O pequeno Carlos foi literalmente uma prenda de Natal para os pais José e Maria. Nascido a 25 de Dezembro de 1980, seguiu a carreira desportiva e notabilizou-se relativamente aos irmãos Melissa, Juliana e Robert.

No perfil do futebolista, pode saber-se ainda que é um hábil baterista e guitarrista e que em 2005 foi um dos sete jogadores que posou para um ensaio da Vogue ao lado da modelo brasileira Gisele Bündchen.

Johnny Gomes (Tampa Bay Rays) enveredou pelo basebol. Ao contrário de Mendes, o Natal não traz boas recordações. Decorria o ano de 2002 quando o luso-descendente sofreu um ataque cardíaco à paisana. Porquê? Talvez por ser demasiado “forte” para se assustar com uma pequena dor, Gomes ignorou os sintomas durante 27 horas antes de se deslocar ao hospital, depois de ter desmaiado.

Os médicos não foram de modas. Mais uma noite de sono e a família Gomes teria perdido o seu “Johnny boy”.

Também no basebol há Mark Teixeira. A descendência de Teixeira é luso-italiana e actualmente preenche manchetes desportivas em todo o país. Após ter chegado ao playoff com os LA Angels, é actualmente um dos jogadores sem contrato mais apetecíveis do mercado. Os históricos Boston Red Sox ocupam a dianteira na perseguição ao “Marco”.

No hóquei em gelo, há um luso-descendente, mas este não é estado-unidense, é canadiano. Chama-se Mike Ribeiro e é uma das principais figuras dos Dallas Stars. Na última temporada Ribeiro levou a equipa às costas até à final de conferência, mas saiu vergado pelos Detroit Red Wings, que viriam a conquistar a 11.ª Stanley Cup.