segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Literalismos

Toda a gente já ouviu falar em hat-trick. Para alguns, é o simples acto de marcar três golos num jogo. Para outros é marcar três golos consecutivos num jogo. Outros há ainda que dizem que têm de ser alcançados todos nas mesma parte. Finalmente, os que afirmam que o verdadeiro hat-trick é aquele em que o jogador marca um com o pé direito, outro com o esquerdo e o outro com a cabeça.

Na verdade, existem inúmeras definições para hat-trick, mas nenhuma é tão literal como a que existe no hóquei em gelo norte-americano. Como a imagem em cima documenta, os adeptos levam a sério o termo e congratulam o jogador com a oferta de... chapéus.

A tradição começou em Guelph, Ontario, com os Biltmore Madhatters (que fazem parte dos NY Rangers). A explicação é simples. Biltmore Madhatters, o nome do principal patrocinador, é um fabricante de chapéus e decidiu que os jogadores que conseguissem um hat-trick teriam direito a um chapéu gratuito. A tradição pegou e, pouco depois, foi Sammy Taft a fazer o mesmo nos Toronto Maple Leafs. Não faltou muito até toda os adeptos começarem a fazê-lo.

Tempos houve que outros adeptos, como os dos Florida Panthers, decidiram inovar e atirar ratos de plástico (existe uma explicação e está relacionada com um jogador), mas a NHL interviu de pronto e proibiu ratos no gelo. Aliás... não foram apenas os ratos a serem proibidos, mas também todos os outros objectos... excepto os chapéus.

O último a fazê-lo, na NHL, foi o jogador dos Boston Bruins David Krejci, que na última quinta-feira apontou três golos no triunfo por 8-5 frente aos Toronto Maple Leafs. A imagem documenta que em Boston a tradição segue-se... à risca.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O Ídolo de proximidade

Michael Schumacher, Pete Sampras, Roger Federer, Tiger Woods, Lance Armstrong, o "Dream Team" do Barcelona. Figuras que dominaram um período da história da modalidade em que se distinguiam e com isso atraíram a si milhões de fãs por todo o Mundo.

Eram exemplos de superação e modelos para miúdos e graúdos que torciam pelos sucessos como se do próprio clube se tratasse. No entanto, não eram amados por todos. Schumacher era considerado perigoso e arrogante, Sampras não tinha grande aceitação na Europa e Lance Armstrong ainda hoje é odiado pelos franceses.

Pegando neste último caso, coloca-se a pergunta "porquê?". Lance é realmente um exemplo único de superação e de domínio absoluto na Volta à França em bicicleta, mas nunca teve uma boa relação com a imprensa francesa. A personalidade característica dos franceses impede-os de idolatrar uma figura estrangeira, especialmente quando os ciclistas franceses não ganham qualquer prova de destaque há muitos anos.

É este carácter de proximidade que influencia muito o destaque e emoção dada a uma modalidade. Numa crónica da Sports Illustrated, a revista de desporto mais conceituada dos Estados Unidos, Bryan Armen Graham afirma: "Na nossa cultura, um desporto é muito pouco popular se o melhor não é um norte-americano. Durante os anos 90, quando Jim Courier, Pete Sampras e Andre Agassi dominavam o ranking ATP, o ténis foi capa da SI 18 vezes... desde 2000 apenas cinco. O futebol, que se mantém como o desporto mais popular do Mundo com anos-luz de vantagem, mantém-se uma modalidade de culto nos EUA porque a selecção nacional não tem argumentos para vencer um Mundial num futuro próximo. A máxima acaba por ser "se não somos os melhores, provavelmente não valerá a pena fazê-lo".

E por que diz Graham isto? Para analisar a situação que o boxe vive na terra das oportunidades. Longe do fulgor do passado, os Estados Unidos estão em queda e assistem quase que impávidos e desinteressados ao domínio do bloco oriental da Europa, que domina em todas as categorias. Já sem heróis, que outrora eram manchetes de jornais e denominados como os "grandes invencíveis" e campeões do Mundo, os EUA são agora um país sem esperança para destronar as figuras.

Talvez por isso, o ucraniano Wladimir Klitschko seja um rei sem trono. Campeão mundial de pesos pesados, o europeu não perde há mais de quatro anos. O saldo da carreira tem um impressionante registo de 52 vitórias e três derrotas, sendo que 46 triunfos foram alcançados por knockout.

No entanto, continua sem passar de um simples desconhecido, ignorado por muitos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Homem das alturas

Lembram-se de Ken Mint? O homem de 73 anos que joga basquetebol apesar da idade? Esqueçam a idade. É um jovem comparado com Fred Beckey, um alpinista de 85 anos que continua a desafiar as alturas e já traçou o novo objectivo: Norte de Espanha.

A história, como não podia deixar de ser, tem mais uma vez a chancela inconfundível do The New York Times. Para se ter uma noção da antiguidade de Beckey, poderá dizer-se que quando o Evereste foi escalado pela primeira vez, em 1953, já este alpinista de corpo e alma tinha 30 anos.

Apesar de não ter sido o primeira nos Himalaias, Beckey é o montanhista em actividade com mais topos virgens, ou seja, nunca ninguém subiu tantas montanhas pela primeira vez como ele. Este génio das rochas, neve e natureza tem uma modo de operação muito próprio. É considerado um homem frio, solitário e pouco dado a partilhar sabedoria. Ainda assim, não deixa de ser uma lenda viva para todos os verdadeiros apreciadores da modalidade.

Talvez por isso, a novidade da aventura ao Norte de Espanha tenha sido adiantada com grande ansiedade nos fóruns. "Pode ser uma possibilidade remota, mas está à procura de um companheiro", lia-se.

De origem alemã, de nome completo Wolfgang Paul Heinrich Beckey, este alipinista octogenário sofreu no passado pelo mau trato. De facto, em 1960, sete anos depois da primeira chegada ao Evereste, Beckey ficou de fora dos convites da primeira expedição americana. Várias gerações depois, os "miúdos" já o vêem de outra forma. Aos 28 anos, Dave Burdick considera que "Beckey já esteve em todo o lado e fez sempre coisas fantásticas".

Se antigamente fugiam dele e queriam distância, hoje fazem fila. Diane Kearns estará com Beckey em Espanha. Para ela, o importante não é tanto a subida, mas sim estar com o alpinista. "A oportunidade de o ver é tremenda. É uma lenda do seu tempo", reconhece.

Aos 85 anos, Beckey não dá sinais de se querer retirar nem de se limitar a escrever livros sobre elefantes, candidatar-se a presidenciais ou simplesmente inscrever-se em clubes de sueca. Continua fiel a uma vida repleta de marcas que se esforçou por alcançar e exactamente com as mesmas motivações.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Figuras desaparecidas

Tem nome de jogador e de país, mas nem por isso um passado repleto de grandes feitos no futebol. Passou por Portugal, mas não sem antes ter sido uma das grandes contratações de um colosso europeu. Não singrou e seguiu de empréstimo em empréstimo.

Em Portugal, no Minho ao serviço do Vitória de Guimarães, as estatísticas nem foram más: 4 golos em 11 jogos. Muito melhor do que nas passagens por Valladolid e Toulouse (também por empréstimo do Real Madrid), Levante e Recreativo Huelva. A melhor fase da carreira, além do Once Caldas, onde se formou e despontou para a ribalta, foi mesmo em Gijón, onde apontou 11 golos em 34 jogos na temporada 2006/07.

Infelizmente, tal como muitos outros, decidiu abandonar o clube, onde era acarinhado pelos adeptos para jogar na Liga Espanhola (6 jogos ao serviço do Recreativo). Os adeptos reagiram mal, chamaram-lhe "pesetero" e, de certa forma, agouraram-lhe o futuro. Venceu o "Molinón del Plata" (melhor jogador da equipa), mas isso não o demoveu a tentar voos mais altos e "desprezou" o prémio ao faltar à cerimónia.

José Maria Suárez Braña, presidente das claques da equipa, tentou contactá-lo, mas sem êxito. "Não nos atendeu nem respondeu às nossas mensagens. Talvez não o mereça, mas foi o resultado da votação das nossas claques e, apesar de termos sido pressionados, optámos por fazer o mais lógico", explicou.

Actualmente? Joga, apenas para manter a forma e esperar um contrato melhor, no Olímpic Xátiva, da Regional Preferente, uma divisão que os portugueses ignoram por completo e, para ser sincero, só hoje ouvi falar dela.

Ao que parece, este avançado está a impressionar e em dois jogos já leva três golos, mesmo que na distinta divisão da Comunidade Valenciana, que resumindo para hierarquias corresponde à quinta divisão.

Resta dize que no Vitória de Guimarães jogou ao lado de nomes como Tomic, Carlos Alvarez, Feijão e Sion. O seu nome... Edwin Congo!

Nota ao Master Kodro: Encara o post sobre os vimaranenses como uma recepção de boas-vindas a este espaço.

Jogo sem regras

Quantos de nós já participaram num jogo sem conhecer as regras na perfeição? Na verdade, até no futebol, o desporto que passa diariamente na televisão, às vezes com múltiplos jogos, existem situações em que a situação é difícil de definir porque remetem para formas de actuação muito invulgares.

Ainda assim, todos nós nos consideramos suficientemente aptos para ver um jogo e analisar se as situações estão a ser bem ajuizadas ou não. No campo oposto, está o futebol americano. Poucos são os portugueses que os dominam, muito por culpa de só termos um jogo por ano (o da Super Bowl) transmitido por canais portugueses. Aqui, não se sabem as regras. Vê-se o jogo, ouvem-se os comentadores explicar o pequeno manancial para interpretar a partida e pouco mais.

De certa forma, sentimo-nos ignorantes, mas ávidos de acolher uma nova realidade e aumentar a nossa capacidade de conhecimento do jogo. Ainda assim, um recente trabalho da ESPN demonstrou que não somos os únicos. Recentemente, o jogo entre os Philadelphia Eagles e os Cincinnati Bengals terminou empatado. Após um prolongamento, a situação manteve-se e os árbitros deram por terminada a partida (para alguns cairá agora o mito de que no desporto americano nunca há empates), de acordo com as leis do jogo.

O quarterback dos Eagles, Donovan McNabb, deu o primeiro passo para a descoberta do verdadeiro conhecimento dos jogadores e revelou que não sabia que um jogo da NFL poderia terminar empatado. Foi apenas a pedra de toque.

A partir daqui, a ESPN partiu para uma aventura em busca de jogadores que pudessem esclarecer com propriedade algumas situações invulgares do jogo. O resultado foi catastrófico como se pode ver aqui.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Era uma vez... o basquetebol

"Quando toda a gente via um cesto de fruta, alguém viu o basquetebol". A frase é de um anúncio a uma bebida alcoólica, mas remete para uma história verídica que se passou neste mesmo dia, 15 de Dezembro, mas de 1891. Esta é a história que retrata na perfeição o início do basquetebol.

A personsagem principal é James Naismith, um canadiano que era professor de Educação Física em Springfield, Massachusetts. Face ao duro Inverno, Naismith estava confinado às actividades de pavilhão e foi praticamente que forçado pelo director da escolha, Springfield College, Luther Gulick, para criar um jogo de pavilhão com finalidades atléticas num prazo de 14 dias. Segundo as crónicas, teria de ser um jogo que "não ocupasse muito espaço, ajudasse os atletas a manter a forma e, acima de tudo, que não fosse demasiado duro e que se tornasse justo para todos".

Continuando por alguns relatos da altura, Naismith analisou os principais desportos da altura e considerou os principais perigos e os propícios ao confronto físico. Desta forma, o novo desporto só teria uma forma de transportar a bola: através do passe. Decidiu ainda que o objectivo estivesse num patamar que não pudesse ser defendido de forma tão "física" como no futebol ou no hóquei, ou seja, o cesto (basket) ficaria colocado a uma altura considerável. O "basquetebol" estava criado, bem como as 13 regras básicas.

Estava criada uma história de sucesso. As regras foram-se alterando (no início eram nove contra nove, a bola era de futebol e os cestos, como hoje os conhecemos, eram cestos de fruta... mais propriamente de pêssegos), mas a essência do jogo manteve-se. Houve quem tentasse chamar ao jogo "Naismith Ball", mas acabou por ser o próprio a deixar a ideia de lado.

Em 1904, nos Jogos Olímpicos de St. Louis, a modalidade foi apresentado oficialmente, mas só se tornou olímpica vários anos mais tarde, em 1936 nos Jogos de Berlim. Em sinal de homenagem, foi Naismith a entregar as medalhas, três anos antes de morrer.

Resta apenas dizer que o primeiro jogo oficial foi realizado no ginásio do YMCA a 20 de Janeiro de 1892, com uma das equipas a ganhar por "concludentes" 1-0.

Mas... mas... mas... e agora?

Não são sinais de gaguez, mas de indecisão. Vamos falar num cenário hipotético. Última jornada de um campeonato e há quatro equipas a lutar pelo título. Os estádios estão cheios e os adeptos ávidos que as partidas acabem para poderem festejar um título, que para alguns é uma reconquista e para outros é um feito singular na história do clube.

Das quatro equipas, três seguem com os mesmos pontos e uma está ligeiramente mais atrás, a precisar de um milagre. Os jogos começam, à tarde, e todos à mesma hora. Não é preciso esperar muito para surgir o primeiro golo e os primeiros gritos de êxtase. "Se acabasse agora...", pensam alguns, pedindo por tudo que não aconteça mais nada.

No entanto, como não poderia deixar de ser num campeonato onde os golos surgem uns atrás dos outros, as outras equipas adiantam-se também. Estão todas em vantagem. E como é o confronto directo, poderão estar a pensar alguns. Outros fazem contas aos golos e à necessidade de ganhar por muitos. Indiferente.

O jogo acaba e aquele dia de festa torna-se num adiamento. Não há campeão. Estamos na Argentina. Prossigamos então agora pelo cenário real. Boca Juniors, Tigre e San Lorenzo terminaram hoje as 19 jornadas do torneio de Abertura em igualdade pontual. Os critérios argentinos são claros e em caso de empate terá de haver uma finalíssima.

Contudo, desta vez são três equipas, por isso a festa vai seguir e vai haver um triangular. É uma situação estranha e não sei se será apenas muito invulgar ou mesmo inédita. A verdade é que o futebol até tem a ganhar com esta emoção e com os jogos extra.

Comparativamente, é um critério muito mais espectacular do que o que se vive no fundo da tabela. O River Plate, campeão do Clausura em título, ficou em último. "Segundona"? Nada disso. O modelo argentino foi alterado há uns anos exactamente para evitar que os cinco grandes desçam. Os millionarios safam-se porque o critério é a média de pontos dos últimos anos.

Argentina, Argentina...