sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O Ídolo de proximidade

Michael Schumacher, Pete Sampras, Roger Federer, Tiger Woods, Lance Armstrong, o "Dream Team" do Barcelona. Figuras que dominaram um período da história da modalidade em que se distinguiam e com isso atraíram a si milhões de fãs por todo o Mundo.

Eram exemplos de superação e modelos para miúdos e graúdos que torciam pelos sucessos como se do próprio clube se tratasse. No entanto, não eram amados por todos. Schumacher era considerado perigoso e arrogante, Sampras não tinha grande aceitação na Europa e Lance Armstrong ainda hoje é odiado pelos franceses.

Pegando neste último caso, coloca-se a pergunta "porquê?". Lance é realmente um exemplo único de superação e de domínio absoluto na Volta à França em bicicleta, mas nunca teve uma boa relação com a imprensa francesa. A personalidade característica dos franceses impede-os de idolatrar uma figura estrangeira, especialmente quando os ciclistas franceses não ganham qualquer prova de destaque há muitos anos.

É este carácter de proximidade que influencia muito o destaque e emoção dada a uma modalidade. Numa crónica da Sports Illustrated, a revista de desporto mais conceituada dos Estados Unidos, Bryan Armen Graham afirma: "Na nossa cultura, um desporto é muito pouco popular se o melhor não é um norte-americano. Durante os anos 90, quando Jim Courier, Pete Sampras e Andre Agassi dominavam o ranking ATP, o ténis foi capa da SI 18 vezes... desde 2000 apenas cinco. O futebol, que se mantém como o desporto mais popular do Mundo com anos-luz de vantagem, mantém-se uma modalidade de culto nos EUA porque a selecção nacional não tem argumentos para vencer um Mundial num futuro próximo. A máxima acaba por ser "se não somos os melhores, provavelmente não valerá a pena fazê-lo".

E por que diz Graham isto? Para analisar a situação que o boxe vive na terra das oportunidades. Longe do fulgor do passado, os Estados Unidos estão em queda e assistem quase que impávidos e desinteressados ao domínio do bloco oriental da Europa, que domina em todas as categorias. Já sem heróis, que outrora eram manchetes de jornais e denominados como os "grandes invencíveis" e campeões do Mundo, os EUA são agora um país sem esperança para destronar as figuras.

Talvez por isso, o ucraniano Wladimir Klitschko seja um rei sem trono. Campeão mundial de pesos pesados, o europeu não perde há mais de quatro anos. O saldo da carreira tem um impressionante registo de 52 vitórias e três derrotas, sendo que 46 triunfos foram alcançados por knockout.

No entanto, continua sem passar de um simples desconhecido, ignorado por muitos.

Sem comentários: