Actualmente em Portugal, Miguel Veloso será o melhor exemplo. O pai, "apenas" Veloso, fez carreira no Benfica e na Selecção Nacional como lateral e somou títulos nacionais atrás de títulos nacionais. Internacionalmente, ficou conhecido por falhar uma penalidade decisiva numa final. Curiosamente, a última vez que ouvi falar dele, como treinador do Atlético da Malveira, foi precisamente numa final perdida, a da Taça de Lisboa, frente ao surpreendente Freiria. No passado, houve Rui Águas. Apesar de não ter conquistado os títulos internacionais do pai (José), Rui conseguiu construir uma carreira que afastou o rótulo de ser apenas "o filho do José".
Lá fora, as grandes figuras de sempre foram, e são, Pelé, Maradona, Di Stéfano, Cruyff, Eusébio, Platini e mais alguns. Desta lista, apenas os filhos do brasileiro e do holandês tiveram, ou têm, passagens pela modalidade. Se no caso de Pelé, o filho guarda-redes foi um flop que envergonhou o nome com sucessivas polémicas e ligações a droga, Jordi Cruyff conseguiu construir algum nome.
Nascido na Catalunha, Jordi cresceu na cantera barcelonista e estreou-se na equipa principal aos 20 anos. Longe de evidenciar o fulgor de Johan, Jordi marcou 11 golos em 45 partidas e após duas temporadas abandonou o clube, coincidindo com a saída do pai. O destino? Manchester.
No United, foi arrasado por lesões e apesar de ter estado numa das equipas mais ganhadoras da história, não conseguiu o sucesso pretendido e foi emprestado ao Celta de Vigo. Mais um insucesso e consequente final de contrato sem renovação. Nesta altura, quando se esperava que se apagasse definitivamente, Jordi chegou ao Alavés. Aí, fez parte da equipa que surpreendeu a Europa do futebol e obrigou o Liverpool ao prolongamento da final da Taça UEFA com o empate a quatro golos.
O destaque fê-lo regressar à Catalunha, ao Espanyol, mas mais uma vez fracassou. O final de carreira, aos 30 anos, adivinhava-se. E foi assim que ficou durante dois anos, apesar de treinar com a equipa B do Barcelona apenas para manter a forma. A questão é: o que faz Jordi neste momento? É companheiro de Mário Sérgio e Ricardo Fernandes nos ucranianos do Metalurg Donetsk.
Razoavelmente surpreendido? Há melhor. Não é colega de sector de Ricardo Fernandes no meio-campo ofensivo, mas sim de Mário Sérgio na defesa. Jordi é actualmente, aos 34 anos, defesa central.